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Comemorações dos 100 anos de “Terras do Demo” têm epílogo na Universidade de Aveiro

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07 Junho 2019

Culmina na Universidade de Aveiro, o programa das comemorações dos 100 anos da obra “Terras do Demo” de Aquilino Ribeiro, cujo primeiro momento evocativo aconteceu no dia 11 de maio, em Soutosa, Moimenta da Beira. O encerramento acontecerá com a exposição “Aquilino no Campus de Santiago”, que será inaugurada no dia 14 de junho na sala Hélène de Beauvoir da Biblioteca da Universidade de Aveiro (está aberta até dia 17 de julho). A mostra é organizada por Maria Eugénia Pereira, do Grupo “Entregéneros: Literatura e Hibridismo”, e por Paulo Neto, diretor da revista “Aquilino”. Todo o programa comemorativo nasceu e foi traçado por um conjunto de instituições aquilinianas, tendo à cabeça as autarquias das Terras do Demo: Moimenta da Beira, Sernancelhe e Vila Nova de Paiva, que presidem, rotativamente, ao Conselho de Administração da Fundação Aquilino Ribeiro.

Sobre a Exposição
Aquilino Ribeiro foi um prolífico escritor do século XX, com uma obra que abrangeu o conto, a novela, o romance, o teatro, a literatura infanto-juvenil, não deixando de lado a história, a crítica literária, a etnografia e o jornalismo. Toda a sua vida (1885-1963) se pautou pela coerência ideológica e pela coesão em torno dos ideais fraternos, libertários e democráticos. Enquanto republicano ativo, foi perseguido e preso pela Monarquia. Enquanto “reviralhista”, foi perseguido e preso pela Ditadura Militar e pelo Estado Novo. Sofreu as agruras da prisão e três exílios em França. Mesmo enquanto candidato a Prémio Nobel, já no final da sua vida, foi constituído arguido por invocadas ofensas à Justiça e à polícia política (PIDE - Polícia Internacional e de Defesa do Estado) alegadamente contidas no livro Quando os Lobos Uivam, imediatamente proibido pelo órgão oficial de censura.
Autor de uma vasta obra, iniciada em 1913 com o Jardim das Tormentas, e concluída em 1963, ano da sua morte, com Um Escritor Confessa-se, que só sai do prelo após o 25 de Abril de 1974. O vitalismo da sua obra, o desprendimento em relação a movimentos estético-literários, a riqueza lexical e a variedade temática, não o anacronizando, têm feito dele um autor perene, lido, recorrentemente procurado por estudiosos que nele continuam a encontrar um inesgotável manancial de motivos de interesse e material para artigos e teses de mestrado e doutoramento.
O acervo aqui exposto congrega toda a obra literária de Aquilino. De alguns títulos, apresentam-se diferentes edições, algumas de bibliográfico. Certas obras são portadoras de dedicatória manuscrita. Também se podem admirar treze edições publicadas em diversas línguas e a revista literária que Aquilino criou e dirigiu, Camiliana & Vária, assim como as suas primaciais traduções de II Santo, de Antonio Fogazzaro, e L’Anarchie, de Jean Grave.
Medalhas, convites, curiosidades sobre eventos, mormente o da trasladação para o Panteão Nacional, banda desenhada, discursos, DVD, entre outros elementos e objetos, constituem uma amostra do muito que há para conhecer sobre Aquilino Ribeiro. No tocante à vastíssima bibliografia passiva, selecionou-se uma pequena parte de um vasto conjunto produzido pelos autores mais significativos do panorama literário e crítico português e estrangeiro. Expõem-se ainda algumas das revistas literárias nas quais Aquilino colaborou, como, por exemplo, a Atlântida, a Contemporânea e a Seara Nova, entre outras.

Sobre Paulo Neto
Antes de se dedicar mais assiduamente à obra e à vida de Aquilino Ribeiro, Paulo Neto foi quatro décadas professor de Português e Literatura Portuguesa. Se muito se tem falado de Aquilino Ribeiro nesta última década, isso deve-se em grande medida a este estudioso. Paulo Neto tem contribuído de forma notável para a leitura e o estudo da sua obra, fomentando e participando em exposições, no lançamento de reedições de livros e na organização de conferências e seminários.
Paulo Neto é detentor de um vasto número de primeiras edições, de reedições ilustradas por dezenas de artistas plásticos, de substancial bibliografia passiva e de curiosidades várias neste contexto aquiliniano.
O seu desvelo tem ainda ido ao ponto de integrar no seu espólio as muitas obras alheias por Aquilino prefaciadas, desde o início da década de 20 até ao final de sua vida. Fruto do seu trabalho de investigação, existem plurais ensaios publicados.
É ainda diretor da revista literária da Câmara Municipal de Sernancelhe, Aquilino, que criou, e editor da plataforma de comunicação social www.ruadireita.pt